URGENTE DIVULGUEM O MÁXIMO!!!
PRECISAMOS DIVULGAR URGENTEMENTE ISSO!!
Vilma Reis
MARINHA DO BRASIL ACABA DE CERCAR A CASA DE UM MORADOR DE RIO DOS MACACOS E AMEAÇA DERRUBAR -
Todas as instituições responsáveis por esta situação precisam se pronunciar, pois todos o poderes, leis e instituições do país estão em funcionamento e elas valem como ordemamento juridico também para a Marinha do Brasil.
A casa deste morador foi muito abalada com as chuvas que cairam em Salvador nos últimos dias , tem várias familias morando dentro da mesma casa, porque a Marinha não permite construção nova e nem reforma, e por isso o morador tentou fazer uma reforma para garantir a permanência das pessoas no imovel.
Estamos ligando para todas as autoridades implicadas neste caso. Que não ocorra uma tragédia hoje no quilombo Rio dos Macacos. A tropa está sob comando de um oficial que já colocou a arma na cabeça de uma moradora idosa da Comunidade, e por isso o medo das pessoas que lá estão presenciando a situação.
conheça mais um pouco sobre o quilombo rio dos macaco
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DbwUXjUzqU6w&h=EAQGrtg6GAQFva5S4JFEJGNpVKUKsBhY9LiH3tHSv6iM6_A
segunda-feira, 28 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB (Núcleo Akofena) denuncia:
“Nenhuma
concessão ao racismo, ao machismo, ao sexismo.”
Ao longo de toda diáspora africana, a
violência contra o corpo e o psicológico da mulher e do homem negros vem
incessantemente ocorrendo em todos os âmbitos e espaços, e das mais diversas
formas de brutalidade e baixeza que ela pode se caracterizar. Em contrapartida,
de maneira cada vez mais desesperada, a branquitude hegemônica vem mostrando
sua face racista, sexista e patriarcal, pela organização, crescimento, e
felicidade da população negra.
O lugar reservado a nós, negras e negros,
na sociedade brasileira sempre foi o da marginalidade, da pobreza, da miséria
extrema, do descaso e da servidão. Na base da pirâmide social, sofrendo de
todas as mazelas que essa sociedade racista/machista nos impõe, está a mulher
negra. Poderíamos daqui, escrever tratados exemplificando todas às vezes, que
nós população negra, em especial mulheres africanas em diáspora, fomos vítimas
de violência, mas nos restringimos em explanar o acontecido na madrugada do
sábado para o domingo (13/05) com a mulher preta, militante do movimento negro
(Núcleo Akofena), Zilda Souza.
O acontecido se passou na “Cabana do Pai
Tomaz”, localizado na praça 25 de Junho, na cidade de Cachoeira, durante a
festa de comemoração da formatura de dois dos nossos quadros, Clissio Santana e
Fred Igor. A confraternização era apenas para convidados, o que não era o caso
do sujeito em questão: um jovem branco, classe média, estudante do curso de
Ciências Sociais da UFRB chamado Pedro do Livramento. Não bastasse o fato de
invadir a festa onde se encontrava parentes e amigos dos dois formandos, o
jovem agressor passou a se esfregar em Zilda, fazendo menção de agarrá-la.
Diversas vezes Zilda sinalizou ao jovem para que parasse com a ação invasiva e
desrespeitosa, configurando-se em crime de agressão física, e tentativa de
estupro, segundo a lei 12.015/09, já que a
violência tinha por intenção fins sexuais, valendo ressaltar que o ocorrido tem
mais de 20 pessoas de testemunhas.
Zilda afastou-se do rapaz, e se juntou a
família e aos amigos da festa. O jovem Pedro veio novamente na sua direção,
dessa vez gritando-a “É por que eu sou
branco que não posso me aproximar?”, e empurrou-a. A partir daí, em um
gesto de autodefesa comunitária, desencadeou-se uma briga generalizada por
conta desse rapaz que estava em um espaço que não era proposto para ele, uma
festa que para as pessoas presentes, representava extrema alegria, superação e
vitória. Dois jovens negros, oriundos de periferia, quebrando barreiras e
contrariando estatísticas, formaram-se no curso de História da Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia. O clima até o momento era de paz e felicidade
compartilhada. A festa acabou em poucos momentos após a confusão. Não
precisamos reiterar o quão emocionalmente abalada ficou e ainda está Zilda
Souza.
Na noite do domingo (13/05), através do
facebook, Pedro do Livramento enviou
uma mensagem a uma outra jovem, desta vez Tamiz Lima, também militante do
Núcleo Akofena, e que também estava presente na festa do dia anterior. Na
mensagem, Pedro refere-se a Tamiz como sendo a mulher agredida por ele, diz em
todo momento que ela se enganou, e reitera sua preocupação com sua imagem e
vida social por conta do ocorrido. A partir daí, podemos levantar mais uma
discussão: a homogeneização do corpo negro, desta vez do corpo sexualizado
feminino negro, Zilda e Tamiz, além do fato de serem negras não possuem nenhuma
outra característica física em
comum. Em que estado de embriaguez, ou sob efeito de quais
substâncias estava esse jovem que não consegue nem ao menos lembrar qual mulher
ele agrediu?
Dentre tantas as barbaridades no conteúdo
da mensagem remetida de Pedro a Tamiz, citaremos algumas:
“Em
nenhum momento lhe ameacei de nada, fiz um comentário tão fútil e banal que nem
lembro qual foi” - ele não se lembra do comentário, mas lembra que foi fútil
e banal.
“Você não me
desperta atração física, embora seja uma menina bonita, mas mesmo assim, não me
atraio por você” - todos os presentes
viram Pedro se esfregando em Zilda.
“Não sei o que você ouviu, e se ouviu bem, não sei o que você
entendeu, mas não foi nem de longe o que eu falei com você. Eu estudo ciências
sociais, pra que eu iria me queimar pra te ameaçar? Não tem sentido.” –
Novamente, Pedro que não lembra nem quem foi a jovem agredida, deixa explícito
que não tem condições nenhuma de lembrar o que falou, mas reitera que o erro foi
dela, e não dele. De maneira ainda mais absurda, coloca o seu lugar de
estudante universitário como justificativa para sua “impossibilidade” de
agredi-la.
A felicidade que nos tomava pela formatura
dos irmãos, agora se transforma em indignação e revolta pela agressão que
sofremos na figura de Zilda Souza. O que se passa na cabeça desse rapaz, que
invade uma festa, de tamanha importância para pessoas de quem ele não é amigo,
colega, ou não o reserva a mínima empatia? Quem ele acha que é para entrar em
nossa “casa” e agredir um de nós, no caso específico, essa mulher preta? Nós do Núcleo de Negras e Negros (Núcleo Akofena) não silenciaremos mais
este ato explicito de racismo e sexismo, convidamos os setores dos movimentos
sociais que são nossos parceiros, os estudantes da URFB, e a comunidade
cachoeirana para um ato CONTRA A
VIOLÊNCIA À MULHER, juntamente ao ATO CONTRA TODOS OS TIPOS DE OPRESSÃO do evento de Múltiplas Sexualidades, no dia 17 de maio em frente ao Centro
de Artes Humanidades e Letras da UFRB, na cidade de Cachoeira. Às 9 h da manhã.
Não deixaremos mais esse caso de violência
impune, faremos valer a justiça. Mulheres pretas no protagonismo da revolução
afrocentrada, por todos os meios necessários!!!
Toda
autodefesa é legítima!
Setor
Mulherista do Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB (Núcleo Akofena).
quarta-feira, 28 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
UFRB recebe evento que debate violência contra mulher negra
Por Tamiz Oliveira e Zilda Souza.
O recôncavo recebeu essa semana na sexta-feira (17) e no sábado (18), o projeto Encruzilhadas de Direitos, que chega a sua segunda edição. Visando à formação política em raça, gênero e enfrentamento á violência contra as mulheres negras na Bahia, o evento foi coordenado pela socióloga e militante do Movimento Negro, Vilma Reis.
A mobilização aconteceu no município de Cruz das Almas, no campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), e reuniu representação de vários setores como: mulheres quilombolas, gestoras de políticas publicas para mulheres de diversos municípios, estudantes e militantes de associações que abraçaram a campanha Mulheres Negras: por uma vida sem violência, que tem como lema “Somos donas da nossa voz, nosso corpo, nossa história.
O objetivo do projeto é fomentar a discussão da luta das mulheres - em especial mulheres negras - no combate a violência e outras expressões do sexismo e racismo presentes nas praticas cotidianas. As estratégias de combate proposto pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) é articular sociedade civil para pressionar gestores municipais para a implementação e elaboração de políticas públicas que visem reparar a face desigual e histórica que as mulheres carregam. O projeto Encruzilhada de Direitos, por sua vez, vem com o propósito de gerar o diálogo, e a partir disso, elaborar planos de ações dentro do Território do Recôncavo da Bahia.
Estiveram presentes cerca de 50 mulheres de sete municípios, que durante esses dois dias compartilharam experiências pessoais, profissionais e políticas. O evento apresentou mostras de vídeos e cantorias de samba de roda, permeados em uma programação leve, descontraída e em alguns momentos emocionantes, pelos relatos sobre as diversas naturezas da violência e como elas vem afetando as mulheres negras, ao longo de séculos de diáspora.
O produto desse encontro foi uma carta política, onde grupos de cada cidade pontuaram questões para serem levadas aos órgãos públicos, dentre outras deliberações que norteiam as articulações dessas mulheres para o enfrentamento do machismo, sexismo e do racismo no Recôncavo baiano. Que mais espaços como esse sejam construídos, a fim de que (nós) mulheres negras sejam(os) reconhecidas pelo protagonismo histórico na vida da população negra.
Em uma das falas da socióloga Vilma Reis, coordenadora executiva do Ceafro, ela coloca um dos ensinamentos que o machismo impõe sobre as mulheres é a não confiança de uma com as outras, e um dos principais ensinamentos que o racismo dá aos negros é que um não confie um nos outros. Esse foi um dos grandes ensinamentos desse encontro. É preciso romper com a desconfiança para que os sentimentos que foram compartilhados sejam materializados em denúncia e luta.
Poder Para Mulher Preta!
Ressoando nossas vozes nos espaços que são nossos e que estão sob o controle e tutela da branquitude.
Tamiz Lima é militante do Núcleo de Negras e Negros estudantes da UFRB e estudante do Curso de Serviço Social.
Zilda Amélia é militante do Núcleo de Negras e Negros estudantes da UFRB e estudante do curso de Zootecnia.
domingo, 18 de março de 2012
AO MEU POVO - Por Shakur Assata em 1973.
Por Shakur Assata em 1973
AO MEU POVO
Irmãos negros, irmãs negras, eu quero que você saiba que eu te amo e espero que em algum lugar em seu coração que você tenha amor por mim.
Meu nome é Assata Shakur ( meu nome escravo Joanne Chesimard), e eu sou uma revolucionária. Uma revolucionária negra. Com isto quero dizer que eu tenha declarado guerra a todas as forças aos que têm violado as nossas mulheres, nossos homens e que mantém os nossos bebês de barriga vazia.
Tenho declarado guerra aos ricos, que prosperam com a nossa pobreza, os políticos que mentem para nós com rostos sorridentes, e todos os estúpidos. Eu sou uma revolucionária negra e como tal, eu sou uma vítima de toda a ira, ódio, injúria e difamação que Amerika¹ é capaz. Como todos os outros revolucionários negros, Amerika estão tentando nos linchar.
Eu sou uma mulher negra revolucionária, e por isso eu tenho sido acusada e acusada de qualquer suposto crime em que uma mulher se acreditava ter participado. Os alegados crimes em que somente homens supostamente estejam envolvidos, eu tenho sido acusado de planejar. Eles estampam fotografias supostamente nas estações de correios, aeroportos, hotéis, carros de polícia, metrôs, bancos, televisão e jornais. Eles têm oferecido mais de cinquenta mil dólares em prêmios para a minha captura, e deram ordens para atirar para matar.
Eu sou uma revolucionária negra e por definição faço parte do Exército de Libertação Negra. Os porcos têm usado seus jornais e televisões para pintar o Exército de Libertação Negra como uma organização criminosa. Eles nós compararam a personagens como John Dillinger e Ma Barker. Deve ficar claro, deve ser claro para qualquer um que pode pensar ver ou ouvir, que são as vítimas. As vítimas e não criminosos.
Também deve ser claro para nós agora por que os verdadeiros criminosos são. Nixon e seus parceiros cometem o crime de assassinado de centenas de irmãos do Terceiro Mundo e irmãs no Vietnã, Camboja, Moçambique, Angola e África do Sul. Como foi provado por Watergate, os oficiais da lei de execução de nível superior neste país são um bando de criminosos mentindo. O presidente, dois generais de advogado, o chefe do FBI, o chefe da CIA, e metade do pessoal da Casa Branca têm sido implicados nos crimes de Watergate.
Eles nos chamam de assassinos, mas não matei mais de duzentos e cinqüenta homens desarmados Preto, mulheres e crianças, ou ferir milhares de pessoas nos distúrbios que provocaram, durante os anos sessenta. Os governantes deste país sempre consideram a sua propriedade mais importante do que as nossas vidas. Eles nos chamam de assassinos, mas não foram responsáveis pelos 28 detentos irmão e nove reféns assassinados na Ática. Eles nos chamam de assassinos, mas não matamos e trinta estudantes desarmados Negro em Jackson State ou em outro Estado do sul, também.
Também deve ser claro para nós agora por que os verdadeiros criminosos são. Nixon e seus parceiros cometem o crime de assassinado de centenas de irmãos do Terceiro Mundo e irmãs no Vietnã, Camboja, Moçambique, Angola e África do Sul. Como foi provado por Watergate, os oficiais da lei de execução de nível superior neste país são um bando de criminosos mentindo. O presidente, dois generais de advogado, o chefe do FBI, o chefe da CIA, e metade do pessoal da Casa Branca têm sido implicados nos crimes de Watergate.
Eles nos chamam de assassinos, mas não matei mais de duzentos e cinqüenta homens desarmados Preto, mulheres e crianças, ou ferir milhares de pessoas nos distúrbios que provocaram, durante os anos sessenta. Os governantes deste país sempre consideram a sua propriedade mais importante do que as nossas vidas. Eles nos chamam de assassinos, mas não foram responsáveis pelos 28 detentos irmão e nove reféns assassinados na Ática. Eles nos chamam de assassinos, mas não matamos e trinta estudantes desarmados Negro em Jackson State ou em outro Estado do sul, também.
Eles nos chamam de assassinos, mas não fomos nos que assassinamos Martin Luther King, Jr., Emmett Till, Medgar Evers, Malcolm X, George Jackson, Nat Turner, James Chaney, e inúmeros outros. Não fomos nós que assassinamos, por tiro nas costas, dezesseis anos de idade, Rita Lourenço, onze anos de idade Rickie Bodden, ou dez anos, Clifford Glover. Eles nos chamam de assassinos, mas não podemos controlar ou aplicar um sistema de racismo e opressão que sistematicamente assassinas pessoas negras e do Terceiro Mundo. Embora os negros supostamente compõem cerca de quinze por cento da população total da amerikkkan, pelo menos, sessenta por cento das vítimas de assassinato são negras. Por cada porco que é morto na chamada linha direita, há pelo menos cinquenta pessoas negras assassinadas pela polícia.
Há expectativa negra de vida é muito menor do que o do branco e eles fazem o seu melhor para nos matar antes de estarmos para nascer. Nós somos queimados vivos em armadilha de fogo.Nossos irmãos e irmãs são viciados diariamente em heroína e metadona. Nossos bebês morrem de envenenamento por chumbo. Milhões de negros morreram como resultado da falta de assistência médica. Isso é assassinato. Mas eles têm a audácia de nos chamar de assassinos.
Há expectativa negra de vida é muito menor do que o do branco e eles fazem o seu melhor para nos matar antes de estarmos para nascer. Nós somos queimados vivos em armadilha de fogo.Nossos irmãos e irmãs são viciados diariamente em heroína e metadona. Nossos bebês morrem de envenenamento por chumbo. Milhões de negros morreram como resultado da falta de assistência médica. Isso é assassinato. Mas eles têm a audácia de nos chamar de assassinos.
Eles nós chamam de seqüestradores, mas o irmão Clark Squires (que é acusado, junto comigo, de assassinar um policial estadual de Nova Jersey) foi seqüestrado em 07 de abril de 1969, a partir de nossa comunidade negra. Ele foi absolvido em 13 de maio de 1971, juntamente com todos os outros, de 156 acusações de conspiração por um júri que durou menos de duas horas para deliberar. O irmão Squires era inocente. No entanto, ele foi seqüestrado em sua comunidade e família. Mais de dois anos de sua vida foram roubados, mas eles nos chamam de seqüestradores. Nós não seqüestramos milhares de irmãos e irmãs cativos em campos de concentração da Amerika. Noventa por cento da população prisional neste país são de negros e do Terceiro Mundo que não podem pagar fiança, nem advogados.
Eles nos chamam de ladrões e bandidos. Eles dizem que nós roubamos. Mas não fomos nós que roubamos milhões de pessoas negras do continente africano. Nós fomos roubados da nossa língua, dos nossos deuses, de nossa cultura, da nossa dignidade humana, do nosso trabalho, e das nossas vidas. Eles nos chamam de ladrões, no entanto, não somos nós que sonegamos bilhões de dólares a cada ano através de evasões fiscais, fixação ilegal de preços, peculato, fraude contra o consumidor, subornos, propinas e falcatruas. Eles nos chamam de bandidos, mas toda vez que a maioria das pessoas pretas pegam em seus salários, são roubadas. Cada vez que entramos em uma loja no nosso bairro estamos presos. E cada vez que pagamos nosso aluguel ao proprietário é como se colocasse uma arma em nossas costelas.
Eles nos chamam de ladrões, mas não roubamos e matamos milhões de indianos arrancando-lhe a sua pátria, em seguida, para ser chamados de pioneiros. Eles nos chamam de bandidos, mas não somos nós que estamos roubando a África, Ásia e América Latina, de seus recursos naturais e da liberdade, enquanto as pessoas que vivem lá estão doentes e morrendo de fome. Os governantes deste país e os seus lacaios cometeram algumas dos mais brutais crimes cruéis da história. Eles são os bandidos. Eles são os assassinos. E eles devem ser tratados como tal. Esses maníacos não são capazes de me julgar, Clark, ou qualquer outra pessoa negra nos tribunais da Amerika. Os negros deveriam e, inevitavelmente, deve determinar o seu próprio destino.
Toda revolução na história, foi realizada por ações é por todas as palavras necessárias. Temos de criar escudos que nos protejam e as lanças para penetramos nossos inimigos. Os pretos precisam aprender a lutar por lutar. Devemos aprender com nossos erros.
Cada vez que um negro lutador da liberdade é assassinado ou capturado, os porcos tentam criar a impressão de que eles têm anulado o movimento, destruindo nossas forças e acabando com a Revolução Negra. Os suínos também tentam dar a impressão de que cinco ou dez guerrilheiros são responsáveis por toda ação revolucionária na Amerika. Isso é um absurdo. Isso é um absurdo os revolucionários negros não caem da lua. Somos criados por nossas condições. Moldadas pela nossa opressão. Estamos a ser fabricado em massa nas ruas do gueto, lugares como a Ática, de San Quentin, montes de Bedford, Leavenworth. Lá são despejados milhares de nós. Muitos veteranos desempregados negros e mães estão unindo nossas fileiras.
Irmãos e irmãs de todas as esferas da vida, que está cansado de sofrer passivamente, compõem a America negra.Há e sempre será, até que cada homem negro, mulher e criança seja livre. A principal função do Exército de Libertação Negra, neste momento é criar bons exemplos, a luta pela liberdade dos negros e se preparar para o futuro. Temos de nos defender e não deixar ninguém desrespeitar conosco. Devemos obter a nossa libertação, por qualquer meio necessário.
É nosso dever lutar por nossa liberdade.
É nosso dever de ganhar.
Devemos amar uns aos outros e apoiar uns aos outros.
Não temos nada a perder senão as nossas cadeias.
Nota
Assata Olugbala Shakur nasceu em 16 de junho de 1947. Iniciou seu envolvimento com a luta política enquanto jovem em 1967. Aderiu ao Partido Pantera Negra, e passa a se tornar uma destacada militante da organização, no entanto discorda de algumas diretrizes do partido. Reclamando sobre a postura machista existente no interior do partido. Por essas questões decidi romper com o partido e continuar seu ativismo em 1971 aderiu á República Nova Afrika uma organização que reivindicava a criação de um Estado- nação composta apenas pela população negra. Em 1979 sua consciência revolucionária de aprofunda ainda mais, e entra para as fileiras do Exército de Libertação Negra uma pequena organização que defendia a luta armada sendo constituída por Panteras Negras dissidentes que romperam com a direção do partido por considera - lá inclinada ao reformismo social em detrimento a luta revolucionária radical. O Exército de Libertação Negra efetuou algumas ações guerrilheiras escolhendo como alvo principal forças policiais juntamente com expropriações de bancos para arrecadação de recursos para a continuidade da luta. Sobre isso e desenvolvida uma violentíssima repressão sobre seus integrantes que passam a ser caçados como terroristas. Em 1973 em conjunto da companhia de alguns camaradas envolve-se na troca de tiros no qual uma policial de nome Foerster Werner e morto, Assata também e ferida a bala. Presa foi levada a julgamento sobre as acusações de assalto a bancos, seqüestro, homicídio. Seu julgamento ocorre sobre “cartas marcadas” no qual mesmo antes do veredicto final já se sabia que a mesma seria condenada. Isso acaba por ocorrer. Mesmo sobre a condição de cárcere, planeja e executa com a ajuda de aliados um plano de fuga. Sem possibilidade de permanecer nos EUA parte para o exílio em Cuba a onde é acolhida com fraternidade e recebe toda proteção necessária. Atualmente Assata Olugbala Shakur permanece em solo Cubano, apesar das insistentes pressões do governo dos EUA para que Cuba a extradite.
*1 A escrita de America com ''K'' ou com essa mesma letra repetida três vezes e uma expressão usada em referência a Ku Klux Klan. Combatentes antiracista a usam para definir que a estrutura de poder dominante no EUA será inexoravelmente racista mesmo que aja a concessão de "direito" sobre a jurisprudência legal e cívica.
P.Kassan 12/06/2011 - Consiencia Revolucionaria
sábado, 10 de março de 2012
Nota da Quilomo Xis - Ação Cultural Comunitaria e Campanha Reaja Ou sera Morta Reaja ou sera Morto
Nota Política
Campanha Reaja ou Será Morta Reaja ou Será Morto
e Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária
Às Irmãs e Irmãos , Companheiros , Camaradas e amigos reunidos em torno da defesa dos direitos da Comunidade Quilombo Rio dos Macacos em todo o Brasil e no Exterior .
Nossa ação é baseada em princípios claros de luta contra o racismo, contra o neocolonialismo e o modelo de Estado Brasileiro que nos trouxe aqui como escravizados e que baseou toda sua riqueza e poder no saque , na pilhagem e na violência contra nosso povo e que tenta nos manter subalternizados ainda hoje em vilas, nas ruas, presídios e favelas.
Para nós, as contradições principais do Estado Brasileiro são o racismo e o neocolonialismo e a única forma de combatê-las é com a luta real e cotidiana com métodos pautados em ideários comunitários, de solidariedade, na luta quilombola e alicerçados em nossos referenciais de luta que são PANAFRICANISTAS.
Por isso não nos submetemos a qualquer lógica político-partidária e/ou eurocêntrica que queira nos salvar, falar por nós, nos conduzir ou tutelar.
Respeitamos todas as organizações em torno da luta Quilombo Rio dos Macacos com uma unidade pontual, deixando de lado nossas pautas especificas e apontando rumo a luta de direitos dessa comunidade e de todas as comunidades espalhadas pelo território nacional. Nossa relação estratégica de ligação ancestral histórica é com o Movimento de Pescadores e Marisqueiras e com o Quilombo Rio dos Macacos. Foram essas duas expressões de luta que nos trouxeram a esse fórum amplo e valoroso e a eles devemos nos referir como vanguarda e farol neste processo.
Nossa participação nesse movimento é de contenção, auxiliar e à disposição para cumprir as tarefas necessárias para a boa resolução de nosso objetivo comum, qual seja o território quilombola titulado e a Marinha do Brasil punida pelas violações aos direitos humanos infligidos contra a comunidade e aos preceitos constitucionais. Não nos sentimos a vontade com autopromoção nas redes sociais do que fazemos ou deixamos de fazer para essa luta, apenas fazemos tudo que é necessário, mas não de qualquer jeito.
Em relação aos grupos políticos partidários queremos reafirmar que não nos alinhamos com qualquer grupo. Dialogamos com todos, desde que não nos coloquem em situação de tutela.
Nem partido, nem campo, coletivo nem mandato vai nos dirigir!
Algumas pessoas que foram por nós apresentadas e solicitadas no processo de luta que travamos até o dia 04 de Março de 2012, deram grande contribuição em vários momentos entre nós, demonstrando seu acúmulo e compromisso no que tange a conquista de direitos das comunidades quilombolas. Estas foram escolhidas por comunidades quilombolas para representá-las (Rio de Janeiro, Maranhão e Rio Grande do Sul). Portanto, não nos responsabilizamos por suas agendas, suas escolhas políticas e seus métodos de disputa: nós os respeitamos, mas, falamos por nós.
Por fim, nos posicionamos entendendo que existe um fórum legítimo com objetivo de cumprir a pauta estabelecida pela comunidade Quilombo Rio dos Macacos. Acreditamos que esse fórum, dirigido pela comunidade Quilombo Rio dos Macacos, deverá dar as coordenadas para as próximas tarefas que temos que cumprir para garantir a vitória da comunidade sobre os desmandos da Marinha do Brasil e do Estado Brasileiro.
Até aqui, todas as tarefas que nos dispusemos a cumprir foram assentadas coletivamente e cumpridas com o máximo de esmero, respeito e compromisso de nossa parte.
É bom reafirmar que mantemos uma agenda permanente nunca abandonada que é:
• A luta antiprisional;
• A luta contra o genocídio;
• A articulação cultural comunitária acompanhando e atendendo demandas de nossa gente, nossa comunidade, sem férias, holofote ou ibope ou qualquer glamour.
Com muito respeito agradecemos a atenção.
Salvador, 11 de Março de 2012.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Quem repara violenta: mulheres negras são oprimidas pelo machismo no Ilê Aiyê
A ordem arriscada do discurso de Foucault me obriga a começar este desabafo dizendo quem eu sou e qual é o meu lugar de fala. Sou Dayse Sacramento, mulher negra, solteira, heterossexual, graduada em Letras pela Universidade Católica do Salvador, na qual fui militante do movimento estudantil, vice-diretora da rede pública estadual de uma escola em Paripe há dois anos, agora saindo do cargo para estudar, Especialista em Educação e mestranda no programa de Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia, tendo como sujeitos da pesquisa meninas negras da FUNDAC, filha de Dona Angélica e neta de Dona Mariá da Liberdade. As informações que acabo de citar representam as minhas identidades que estiveram/estão em conflito depois da minha iniciação no bloco Ilê Aiyê, na terça-feira de Carnaval.
Certamente, o currículo da minha vida revela o que representa para mim acompanhar do lado de fora da corda o “mais belo dos belos” ou estar presente na Senzala do Barro Preto para prestigiar as atividades de tão importante instituição de resistência negra no mundo inteiro. Ainda assim, para mim, acompanhar o bloco de fora, mesmo com as resistências que tenho com relação aos blocos de corda eu queria estar lá dentro, vivenciado as canções de um bloco que reverenciam a mulher negra, enaltecem a sua beleza tão diversa, composta por elementos que são fruto do preconceito racial e, principalmente, pela representação política do que estar dentro da corda representa. Ledo engano...
Depois de acompanhar o bloco como pipoca sábado e segunda, na terça, resolvi comprar a minha fantasia para realizar uma vontade que já me acompanha a alguns anos e para acrescentar no meu discurso sobre o bloco o que é estar lá dentro, vivenciado de fato uma experiência de ser incluído (e estar dentro!) do contexto de um bloco afro de Carnaval. Entretanto, fui surpreendida por dois homens no início do percurso, os quais não havia tido o imenso desprazer de encontrar ou conhecer antes como a seguinte exclamação: “Pessoas como você sujam e envergonham o bloco Ilê Aiyê!”. Assustada, perguntei a eles se aquilo fazia parte de alguma brincadeira e o mais enfático, leia-se grosseiro, tosco e mal educado, respondeu: “Ano que vem, a gente vai botar gente como você para fora, sua indecente. Você deveria respeitar o bloco!”. Já aos prantos, me dei conta de que eles se referiam à minha fantasia reformada, apenas a blusa como um tomara-que-caia, com a barriga coberta e a saia continuava intacta, não reformei. Felizmente, eles mexeram com a pessoa certa! Pedi aos gritos, mesmo tom de voz que eles utilizaram comigo, que eles me respeitassem, que não sabiam da minha história e quem eu era e que se gostariam de me recomendar cuidado com o meu traje que isto se desse de forma educada e que fosse feito com todas as outras associadas que haviam feito reformas em suas roupas com o uso de tops, vestidos, minissaias, mistura de tecidos, etc, muitas registradas em fotografias que tirei durante o desfile. Quando eles perceberam que eu os peitei e respondi, um deles, cujo o nome é Fernando Ferreira Andrade Filho, dirigente do bloco, me segurou pelo braço e me encostou no trio em movimento e continuou a me insultar. Quando as minhas amigas viram, partiram para cima dos dois, e agora um outro, também dirigente que não consegui identificar, já segurava o meu braço dizendo: “Olha pra isso, o que é isso!”, apontando para mim, me tratando de forma “coisificada”, com desdém e mesmo com o meu apelo para que soltasse meu braço ele continuou a me humilhar e a me acuar contra o carro. Neste mesmo momento, um dos filhos do presidente do bloco, que sequer acompanhou a ocorrência largou a seguinte pérola: “Na Timbalada, ninguém faz isso!” e eu respondi: “De fato, na Timbalada, ninguém nunca me pegou pelo braço e me acuou contra um carro em movimento, nunca fui violentada lá dentro.”. Ainda não satisfeito, Fernando Ferreira, a saber médico que trabalha no HGE, me disse: “Você comprou sua fantasia nada! Sabe lá como você chegou até aqui!”. Muitos associados e associadas, ao perceberem a confusão afastaram os homens, e se solidarizaram com a situação, tentando me acalmar. Neste momento, muitas mulheres com as fantasias reformadas vieram até mim e disseram que já existe um histórico de agressões feitas por estes senhores, ou seja, já existe um histórico de agressões às mulheres associadas, cordeiras e funcionárias.
No meu caso, quero deixar claro que “o bicho vai pegar”, que não vou recuar e que já comecei a tomar as devidas providências. Com os ânimos a flor da pele, eu e minha amigas resolvemos sair do bloco para fazer alguma coisa. A esta altura, eu já estava morta de vergonha pelos olhares de todas as pessoas de dentro e de fora do bloco para mim depois de vivenciar uma situação tão constrangedora. Preciso ressaltar que uma patrulha de policiais militares nos pararam a caminho da delegacia e ao relatar o fato eles me perguntaram se eu tinha testemunha e se eu queria dar o flagrante. Estes foram os 10 segundos mais longos da minha vida. Eu, militante da causa, admiradora do bloco e das representações que ele sempre teve para mim iria entrar no bloco, acompanhada pela instituição que historicamente reprime/ maltrata/ mata as pessoas da minha cor para retirar de lá dois dirigentes do bloco por agressão física e verbal? Logo me veio também aquilo que só uma mulher que sofreu violência sabe pelo que passei: o medo de represálias. Eu não aceitei a proposta do flagrante e não quero avaliar se ela foi ou não acertada, mas do que estou certa é que fora moralismo e o meu saudosismo político esta situação precisa de amparo, de justiça. Resolvi prestar uma queixa no Observatório do Racismo por conta da natureza do bloco e num posto conjugado da Polícia Militar em São Bento, com algumas pessoas como testemunha. Amanhã, estarei na Delegacia de Atendimento às Mulheres para complementar a ocorrência, vou ao PROCON e a procura de uma advogada ou advogado que sejam militantes da causa racial.
Deparei-me com Vovô do Ilê, então presidente do bloco e tentei reconstituir o meu desespero. Ele então me fez a seguinte pergunta: “Você mostrou a ele a sua carteira?” e me deu as costas e saiu andando, como se eu não existisse. O bloco que incita o empoderamento das mulheres negras nas suas canções precisa concretizar este fato em ações. A instituição deve fazer uma avaliação sobre a sua estrutura e sobre as pessoas que a dirigem, principalmente em respeito à maior liderança que já teve, a Mãe Hilda. É urgente que o Ilê repense o direito e o respeito às candaces quando na sua diretoria a quantidade de mulheres não chega a quantidade dos dedos de uma mão.
O que ficou exposto na conduta dos dirigentes em questão é que além da violência gratuita, a incapacidade de diálogo deu-se por uma questão mercadológica. Certamente, há pessoas que fazem duas fantasias de uma só, mas, no meu caso, estava claro que pelo comprimento da roupa era impossível que eu tivesse dividido a fantasia com outra pessoa. Mesmo que eles suspeitassem desta possibilidade não é com a opressão/ violência física e verbal que isto se resolveria, principalmente se pensarmos nesses homens como agenciadores culturais. Para mim, isto também se agrava quando penso na concepção de beleza negra que o bloco defende e que não permite adaptar a fantasia ao meu corpo, às condições climáticas me desqualificam ao ponto de “sujar” e “envergonhar” o bloco. Não entendo esta visão levando em consideração a uniformização proposta pela moda que sempre nos excluiu. Obviamente, entendo a preocupação do bloco com as formas de adaptação da fantasia, mas nada justifica tal violência que me impuseram e que estará cravada na minha memória por muito tempo.
Escrevo este texto para conclamar um coletivo de mulheres negras, principalmente, além das pessoas as quais confio à militância para que tomemos providências. As ações das políticas afirmativas e das instituições que fazem uso deste discurso devem ir de encontro à consolidação de uma cultura sexista, classista, homofóbica. Estamos tratando da criação, da manutenção e do respeito aos direitos humanos, que violados numa instituição como Ilê Aiyê, exige de cada militante sério uma postura de enfrentamento a toda e qualquer violência. Sou uma pessoa de participação política tornando-me negra. Ser negra é um compromisso. A negritude da minha pele é uma cor política e procuro agir desta forma.
Mais uma vez, é chegada a hora da “lavagem de roupa suja” da militância negra na Bahia para questionar a postura do homem negro que oprime as suas mulheres com um contradiscurso daquilo que dizem acreditar, militar. O homem negro precisa tratar melhor as mães dos seus filhos, as suas companheiras, àquelas que o carregaram no ventre.
Um amigo acaba de me dizer o velho ditado que “pimenta no dos outros é refresco”. Ele me disse isso e me lembrou que eu também sou uma “menina” negra como as meninas da FUNDAC, com a diferença de que eu tenho o aparato acadêmico, cultural, intelectual e da rede de relações que elas não têm. Agora eu sei bem o que vou pesquisar, estou sentindo literalmente na carne.
Espero que fique entendido que o meu respeito pelo Ilê permanece e a minha presença esta garantida para qualquer debate sobre a questão de forma séria e respeitosa. O Ilê Aiyê é muito maior do que todos os seus dirigentes. Cada uma de nós, mulheres negras e homens negros formamos este bloco e a sua história. Nós lutamos para que ele estivesse na rua quando nós negros tínhamos que preencher uma proposta para se tornar associado de blocos brancos, inclusive aquele que tinha um camarote na curva da Castro Alves. As suas ações devem estar voltadas para nós, não contra nós. Estou botando a boca no trombone porque concordo com o que nos disse Luther King que "o que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.". Eu sou boa gente, por isso não vou deixar de falar e eu falo alto.
Saudações,
Dayse Sacramento
retirado de: dayse.sacramento@gmail.com
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A República Escangalhada, o Racismo. Por Hamilton Borges dos Santos (Walê)
“chega de negociar , não dá pra achar que vencemos agora é hora de enfrentamento”
Makota Valdina Pinto
Makota Valdina Pinto
Vi toda a comunidade do Quilombo dos Macacos, situada na ponta do subúrbio ferroviário(Salvador) e em Simões Filho um dos mais importantes pólos industriais da Bahia, estava lá a comunidade , emocionada e nos emocionando , combustível para essa luta inglória. O Quilombo dos Macacos vive em uma guerra, reféns da instituição de tortura mais cara de pau dessa republica de fachada: a Marinha do Brasil. A mesma que torturava a base de chicote os bravos rebelados da Revolta da Chibata, mantém um saldo de analfabetismo, tortura, desaparecimento, morte, espancamento e violação de direitos desde os tempos da Ditadura Militar. E agora querem despejar de sua morada centenária várias famílias do Quilombo dos Macacos. Makota Valdina disse não com a dignidade em riste e foi mal interpretada por muitos militantes institucionais de plantão, aquela turma do acomoda com projetos mirabolantes e bolsas internacionais pra fazer reunião em lugares cuja rua e/ou bairro mal conhecem. Esta turma que se acostumou a negociar o inegociável ficou arisca quando Makota Valdina os chamou para o enfrentamento. Nós da Quilombo Xis /Reaja aceitamos convocação.Estaremos firmes com nossos irmãos e irmãs para atuar por todos os meios necessários, para atuar pela liberdade e não é blefe ...é quente.
O outro ponto importante que destacamos aqui é a greve da polícia. Nas redes sociais uma série de análises apressadas sobre a guerra como se fosse uma guerra instalada agora, como se não vivêssemos em permanente tensão recolhendo corpos de nosso povo pelos bueiros da segurança pública.
De novo apenas, é: O Governador do Estado da Bahia reconhece que a polícia usa métodos de extermínio quando quer alcançar alguns objetivos. Agora usou vários moradores de rua como moeda de troca para negociar/tensionar sua greve insana de fuzil e pistola na mão, promovendo, saque , morte e terror em áreas há muito deflagradas com o medo e a rapinagem estatal de arma em punho. Falamos ao governo insistentemente que era necessário manter a delegacia especial contra crimes de extermínio, dissemos que os grupos de extermínio não tinham sido dissolvidos com essa “nova Bahia”, não fomos ouvidos nem pelos parlamentares que elegemos . e Haja relatório com gosto de milho americano.
A greve da PM traz um debate que muitos tangenciam: a importante pauta da esquerda antes dessa ascensão ao poder e ao lado direito da política, a pauta da desmilitarização da polícia, uma polícia com modus de uma polícia militarizada, subordinada ao exército, pesando ainda a ideologia de segurança nacional, na qual os pobres, nós negros somos os inimigos internos. Precisamos dar lugar a outra lógica de segurança, talvez republicana , talvez democrática, esses conceitos vazios que os governantes usam como o gelo em seu drink diário.Marcus Prisco não é nenhum herói, mas também não é o demônio que querem pintar. Talvez ele tenha mostrado o sexo do rei nesse atrapalhado episódio de conseqüências trágicas .
Essa é nossa república escangalhada, uma farça , um fiasco estatal. É o arcebispo que negociando nossa segurança num estado laico; a Presidenta. ex –presa política exigindo instalação imediata de tribunais militares para sumariar grevistas.O governador sindicalista recorrendo as forças armadas como primeiro e único mecanismo de negociação/pressão e o povo negro e pobre fica por sua conta no meio do caos..
Restam os poetas , os maloqueiros , os rappers ...meus /minhas companheiros /as , que dispostos a luta , se preparam para exigir da Marinha do Brasil mas respeito ao povo preto desse pais , por que daqui pra frente Todo Somos Quilombo dos Macacos e a Marinha do Brasil não vai sujar o mar com nosso sangue.
retirado de: http://www.facebook.com/profile.php?id=1069405273
domingo, 5 de fevereiro de 2012
(Não) Deu branco! Uma declaração sobre a conveniência da branquitude.
“Narram que o negro somente apanhou,
e não contabilizam o branco que matou”.
Lourenço Cardoso
Uma questão indagadora me inquieta, mais que isso, me impulsiona à busca de reflexões, leituras, referências construtivas para o desenvolvimento não de uma teoria, mas de um posicionamento político que seja condizente com minha prática de militante, e vice-versa. Não se trata aqui apenas de uma investigação científica e sim da tentativa de autoconhecimento e compreensão do meu papel social de mulher branca, de como me refaço na marcação desta identidade racial.
É perceptível o quanto o/a branco/a se abstém das discussões sobre relações raciais, desconsiderando seu condicionante de opressor/a, e sem problematizarmos esse posicionamento, mais uma vez racista, legitimamos a neutralidade, ou melhor, a neutralização da identidade racial branca e concedemos uma zona de conforto que há tempos se configura enquanto prerrogativa tanto para os que reconhecem a existência do racismo, quanto para os que ainda insistem na afirmação de democracia racial.
Portanto, estudar os comportamentos dos brancos é considerar o conhecimento sobre as práticas de sua supremacia racial, e isso é em si construir estratégias políticas, assim, dada a importância desta discussão no Movimento Negro. O/as preto/as já foram, e são, objetos de estudo involuntariamente, sem licenças ou concessões, com direito a equívocos, inverdades e calúnias que reatualizam as ações racistas. Há uma vasta produção tanto do olhar de si, o que contribui positivamente, e, infelizmente, muito pelo olhar do outro, ainda que exista meia dúzia de cinco ou seis que notemos aliados.
Então, porque não desatarmos este silêncio diante do que é ser branco? É timidamente que começamos a indagar-nos. Defendo que os preto/as falem dos brancos/as e mais que isso, que os brancos/as falem de si. É imprescindível uma atenção a esse sentido, não se trata de uma perspectiva de centralização ou superposição e sim de colocações pontuais e elucidativas às nossas discussões sobre raça. Avançamos com a denúncia do mito de democracia racial, avançamos com a afirmação e auto-afirmação positiva do que é ser negro/a e avançamos quando aponta-se o conforto da brancura, à medida que os/a próprios/a branco/as admitirem suas condições de privilégios.
A superação do nosso racismo, digo ‘nosso’ considerando a impossibilidade do/a negro/a ser racista, do racismo consequente de práticas coletivas, individuais e cotidianas, é conquistada quando assumimos criticamente nossas atribuições simbólicas, subjetivas e materiais e, mais que isso, quando nos fazemos capazes não de ceder, mas de devolver o que é de direito da população negra, de relacionar o nosso interesse individual com o interesse coletivo e, quando divergente, saber mapear o que de fato é ser um sujeito aliado à luta antirracista.
Temos aqui dois condicionantes, a compreensão da ausência da afirmação racial branca e como se produzir o inverso, a sua (auto)identificação e (auto)declaração, destaco o ‘auto’ porque considero bem expresso para quem a branquitude é, convenientemente, invisibilizada. Trata-se de um problema racial mal compreendido e com urgente imperativo de avaliação, como mapear a questão da branquitude, se ao atentarmos para sua prerrogativa desloca-se o discurso à mestiçagem da população brasileira? Há a insistência da raça à brasileira, todos/a num grande caldeirão amistoso como se houvesse verdadeiramente democracia racial. Isso, quando nossas problematizações não são colocadas à prova com a apelação científica biológica, mal intencionada, de que toda espécie humana faz parte de uma única raça. A raça humana ou brasileira são proposições sobre as quais nem pretendo delongas.
O que me parece é que o/a brasileiro/a branco/a se sente cada vez mais confortável em considerar a miscigenação, em reconhecer o “pé na senzala” ou “desenterrar a avó preta”, mas isso não ausenta o poder e/ou os privilégios do mesmo. Quero dizer que o racismo não se baseia em genética, em gota de sangue, se reestrutura nas relações do olhar, da estética, da aparência, sobretudo epidérmica. Mas na tentativa de manter uma auréola, é cabível assinalar uma ancestralidade negra ou igualdade de sangue vermelho.
De fato, temos que considerar os desafios ao exame crítico da construção da identidade racial branca. Primeiro, há uma escala de cores de pele determinante às relações raciais, em que em algum nível ocorrem marcadores de fronteira da própria brancura, é quando possivelmente desembocamos na problemática das linhas raciais brasileiras não nítidas; Segundo, por ser a branquitude uma categoria histórica, relacional e com significados socialmente construídos, lidamos com uma variante de acordo com a época e o lugar, assim, uma pessoa branca na Bahia é possivelmente reconhecida parda/negra em São Paulo; terceiro, a abordagem relacional entre classe e raça ainda assume uma confusão não só teórica, mas política. Muitas vezes o branco da quebrada assume sua dose de negão, mas seu privilégio é notório quando comparado ao preto que seja da quebrada ou não. A branquitude não é irrestrita ou incondicional, é perpassada por outras categorias que a estrutura, ora de privilégios, ora de subordinação, contudo, seus méritos raciais são resguardados.
A branquitude é justamente isso, a preservação do poder e/ou privilégio racial mesmo com intersecções de opressões correlatas como de classe, gênero, por orientação sexual ou idade. Ao mesmo tempo que tecemos um quadro de desafios à compreensão do que é ser branco, falamos de um Brasil construído por um esquema epidérmico racial muito bem absorvido pela polícia e compreendida pelos olhares do cotidiano, nem sempre verbalizados, mas que constrange, agride, violenta e põe o outro no seu “devido espaço”. Quando não citadas as ações diretas de estupros, expulsões, surras, assassinatos, de genocídio de uma população que não tem dúvida dos seus insistentes marcadores visuais, consolidados pela tirania do olhar branco. O negro/a sabe que o é. Quem apanha aprende a reconhecer de que mando vem à chicotada. Quem chicoteia sabe muito bem como esconder o chicote, quando precisa.
É válido ressaltar que apenas ao reconhecer e/ou afirma-se branco tal indivíduo não é automaticamente isento de ações racistas, a consciência de raça não é sinônimo de antirracismo. Contudo, a identificação significa a construção de uma via de mão dupla, é então que podemos considerar a branquitude acrítica e a branquitude crítica.
Na medida em que questionamos a supremacia racial e mais ainda quando nos aproximamos de sua desconstrução é que os/a brancos/a se posicionam, seja na tentativa de assegurar seus poderes e ou/ privilégios, seja com uma leitura que desaprove o que está posto. Um dos exemplos notórios que faça valer esta afirmação é o processo de adoção de cotas raciais para o acesso às universidades brasileiras, o que desencadeou seções discursivas polêmicas em torno da questão e deu visibilidade a (in)consciência racial.
O documentário ‘Raça Humana’, produzido pela TV Câmera na Universidade de Brasília, nos apresenta colocações coerentes a esta análise. Davi Lyra, estudante do curso de Engenharia Elétrica, em encontro com os alunos contrários às cotas, afirma: “Eu vim de uma cultura onde a excelência acadêmica era valorizada e que era importante você se destacar, entrei na universidade com o pensamento um pouco nessa linha, quando eu chego à universidade eu vejo que tem na minha sala, a nota de corte do sistema universal foi 180, uma pessoa que entra com 30 no vestibular. Eu fico pensando que essa pessoa que entrou com 30 tirou a vaga de uma garoto que tirou 175”.
Dentre as tantas análises pertinentes a esta colocação, vou me ater ao termo “tirou a vaga”, em que se percebe a conotação de prejuízo ou até mesmo injustiça que é atribuído ao sistema de cotas. O primeiro traço marcante de sua branquitude acrítica é justamente o de defesa do privilégio de seu grupo racial, neste caso, de acordo com um discurso meritocrata.
Em seguida, o mesmo afirma: “Um país em que a maior festa popular é comandada por negros, que é o carnaval, tanto no Rio de Janeiro, como em Salvador, em todos os estados do Brasil, não pode ser considerado um país racista, um país onde os negros tem igualdade de oportunidades, não interessa onde eles estejam, não é um país racista.” Nesse ponto creio que não preciso retomar as discussões sobre as estratégias dos/a brancos/a de reencantar as relações raciais e dizer: está tudo bem, aqui não existe racismo. Bem como não vou me ater ao contra discurso, falar do carnaval racista brasileiro me roubaria linhas à diante. Na verdade, nem sei se devo considerar sua colocação como ofensa ou como piada de mau gosto, mas considero a certeza de que não é nada ingênuo.
Assim traçado, sinteticamente, o perfil da branquitude acrítica, ou seja, os/a brancos/a que, reconhecendo ou não a existência de raça/racismo, acobertam as suas condições de privilégios e adotam mecanismos de defesa e reestruturação da hierarquia das raças mesmo com o falso discurso de igualdade ou mito de democracia racial.
Já sobre os brancos críticos, considera-se àqueles que compreendem as relações raciais, reconhecem suas categorias de poder e/ou privilégios e desenvolvem um discurso racial(izado). Por exemplo, o ator Pedro Cardoso revela sua criticidade ao ser entrevistado por Lázaro Ramos, então apresentador do Programa Espelho. O entrevistado afirma a importância das cotas raciais para gerar igualdade na sociedade brasileira, afirmando: “não dá pra dizer que eu com essa história branquinha parto do mesmo lugar que um menino que nasce na favela vindo com essa história de escravidão que tem no Brasil, não dá pra dizer que minhas filhas e ele estão tendo a mesma oportunidade na vida, esse cara tem 350 anos de opressão, de humilhação, de ofensa”. Este sujeito fala de um lugar e este lugar tem demarcações históricas pertinentes às diferenciações raciais.
Lourenço Cardoso, quando traça a relação entre o posicionamento crítico ou acrítico do/a branco/a, aponta a possibilidade de distinção enquanto pretensão da linha de estudos da branquitude em categorizar as formas de manifestação racista. Mas sugiro ainda que avaliemos uma terceira postura, a qual não cabe apenas a criticidade e o discurso público, mas estas atreladas a um posicionamento, uma prática, que deveras ser condizente à transformação deste modelo sócio-racial. Trato dos/a aliados/a à luta antirracista, dos que, de maneira efetiva, desconstrói o seu legado de soberania racial no próprio cotidiano e que participa do desafio de forjar, verdadeiramente, a democracia racial brasileira.
Nesse sentido, cabe justificar o verdadeiro interesse no entendimento da branquitude, de analisar privilégios, concepções, posicionamentos de um grupo que nota-se heterogêneo. É na tentativa não só de auto-conhecimento, mas na busca de uma resposta que, acertadamente, não se trata apenas de um compromisso intelectual. Reconhecido o racismo e compreendido a construção de mulher branca, quais as alternativas a esse discurso? Quais os limites e possibilidades? Qual o papel do/a branco/a crítico/a aliado/a a luta anti-racista?
“Fique registrado que muitos brancos íntegros são ofuscados pela maligna fosforescência da “democracia racial” e se comportam diante da população negra da maneira tradicional do racista brasileiro: com postura paternalista”.
Abdias Nascimento, O quilombismo
Escrito por: Joyce Souza Lopes
Membro do Núcleo de Negras e Negros Estudantes – UFRB
Estudante do curso de Serviço Social – UFRB
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